Por eleições limpas

Quando as urnas se fecharam, encerrando mais um processo eleitoral em quase seis mil municípios brasileiros foi possível fazer duas constatações: a primeira delas foi exaltada em todos os balanços feitos por cada juiz eleitoral. Eleições livres, democráticas, com total liberdade para os cidadãos escolherem seus candidatos. Um dia todo de votação com poucos incidentes e a maioria deles sem maiores consequências.  A segunda constatação porém, deixou uma sensação de que algo mais poderia ter acontecido. E a responsável por esse sentimento é uma das práticas mais primitivas dos processos eleitorais: o desrespeito ao espaço e ao momento de reflexão dos eleitores com o “despejo” de toneladas de santinhos com propaganda eleitoral nas proximidades dos locais de votação.

Em praticamente todas as cidades a imagem era a mesma. Dificilmente era possível ver a cor do asfalto ou da calçada. O chão estava forrado de material de divulgação daqueles que tiveram quase dois meses de espaço no rádio e na televisão, debates e comícios, carreatas e passeatas, reuniões e churrascos. Tudo para convencer os eleitores sobre suas nobres intenções. Ao final da festa democrática no domingo, o resultado foi uma cidade emporcalhada.

Á titulo de curiosidade: em Bauru, dois dias depois do término das eleições, quase 7 toneladas de papel tinham sido recolhidas. E a pergunta que se faz é: por ainda se mantém essa prática? Sinceramente o candidato acredita que o eleitor vai procurar no chão, a poucos instantes de votar, qual seria o seu melhor representante? Não creio que isso ainda aconteça.

Juntamente com essa prática de sujar a cidade no dia da votação, temos outras atitudes dos candidatos que precisam ser revistas ou  melhor  fiscalizadas. Qual a diferença entre uma placa sobre um carro dentro da região de votação e milhares de santinhos espalhados pelo chão? Na minha avaliação, as duas atitudes podem ser consideradas boca de urna.  Outra cultura que precisamos incentivar é a pausa para a reflexão do eleitor após o fim da propaganda. Entre a quinta-feira e o domingo é  preciso respeitar esse espaço e isso só vai acontecer se nós, enquanto candidatos, eleitores e cidadãos nos determinarmos a isso.

Espero que daqui a dois ou quatro anos, tenhamos eleições limpas em todos os sentidos. Nas fichas limpas dos candidatos e nas ruas das nossas cidades.

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